Geração Z está se distanciando do mundo virtual
Jovens têm escolhido discos de vinil e livros impressos para se desconectar das redes sociais
Nascida entre 1997 e 2012, a Geração Z agora foge do mundo virtual que a cerca desde o berço. Basicamente, enquanto os Millennials limitavam o uso da internet aos fins de semana, os jovens da Gen Z carregam a rede 24 horas por dia no bolso, conectados desde a adolescência pelos smartphones. Esse bombardeio de informações e conectividade está impulsionando e revivendo o mercado analógico de discos de vinil, livros impressos e fones de ouvido com fio.
A procura por produtos considerados antigos tem revitalizado um mercado que estava, do jeito mais geração Z de dizer, caindo no esquecimento. Segundo a Pró-Música Brasil, as vendas do disco de vinil impulsionaram o formato físico no país com uma alta de 25,6% em 2025.
O mercado literário segue a mesma tendência: as vendas de livros físicos no Brasil cresceram 6,5% em 2025, atingindo 185 milhões de exemplares. A pesquisa produzida pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) também divulgou resultado positivo no faturamento das livrarias físicas, que representaram 28,9% das vendas do setor.
Para muitos jovens, consumir produtos físicos não é mera nostalgia. Ao contrário das gerações anteriores, que ligam o vinil e o livro ao passado, a Geração Z vê nesses itens uma ferramenta para resgatar uma identidade geracional que eles não viveram.
Esse retorno ao físico também reflete o esgotamento causado pelo excesso digital. Sob o peso do consumo constante de telas e redes sociais, boa parte da Geração Z já reconhece os impactos negativos desse ritmo em sua saúde mental. O cansaço estimula a busca por experiências mais analógicas, calmas e desconectadas da internet.

O analógico também virou lifestyle
A vontade de viver a vida mais offline devido aos grandes excessos de informações a todo momento explica uma parte da volta dos produtos analógicos. O retorno das câmeras digitais, fones de ouvido com fio e vinis também está ligado a uma tendência de lifestyle.
O chamado “detox digital” ou “viver no off” tem ganhado força entre os jovens em um movimento para interromper o hábito de sempre estar “rolando o feed”.
Além de otimizar o tempo, usuários dessas soluções apontam melhoras no sono, na produtividade e no bem-estar mental. A mudança tem base científica: uma pesquisa da Universidade de Alberta (2025) correlaciona o excesso de redes sociais a traços de ansiedade e depressão, a depender de como se consome o conteúdo. Assim, restringir o acesso digital consolida-se como uma estratégia essencial de sobrevivência e saúde, não apenas uma escolha estética.





